5 de set de 2016

JANJÃO EM TEMPOS DE REDES SOCIAIS

Há algum tempo em Curaçá, nas vésperas de política, de campanhas, circulava um tal de Janjão, um jornalzinho, um folhetim, criado para se alardear um fato, denunciar o comportamento de um político ou “figurão” que se beneficiava das tetas da velha prefeitura, ou, como alguns a apelidam, da velha viúva.

Os tempos passaram, a tecnologia avançou. O folhetim, que por vezes foi escrito a mão, também avançou. Agora, não é mais escrito por grupos em pequenas salas, que faziam acordos, juras de guardarem segredos do anonimato, como se fossem uma quadrilha de assaltantes, fidelidade eterna, ou até que um dos autores decidisse apoiar outro grupo político.

Como disse, em tempos de redes sociais até os velhos Janjãos se atualizaram. Ô Facebook pra ter Janjão, agora chamados fakes, né! Se antes, para se ter um janjão circulando nas ruas  precisava um grupo de no mínimo três (um para escrever ou datilografar, outro que ajudava nas rimas e os informantes), com recursos escassos, hoje apenas um simples usuário com um celular não muito caro consegue divulgar o que pensa, o que quer que os outros pensem, escondido no anonimato.  O indivíduo cria um perfil falso, convida umas cinqüenta pessoas, que aceitam como amigo sem nunca lhe ter visto, para dar aquele ar de credibilidade,  ou cria uma página e adiciona centenas de pessoas. Dada a curiosidade das informações do que se passa nos bastidores do meio político, do que, outrora, era escondido do povão, não se pode negar a aceitação da população. Uns curtem, outros comentam, e tem aqueles que até compartilham.

Ler alguns dos textos chega a ser uma luta. Coesão, coerência e todas as regras gramaticais muitas vezes são deixadas para trás, nem ao menos um esforço para acertá-las como acontecia no velho janjão. Mas esse não parece ser o problema. Mesmo assim o povo lê, comenta nas esquinas os personagens que escrevem, ou ao menos fingem que escrevem, pois tem uns que, aparentemente, bem aparentemente, emprestam suas contas, não sei em troca de quê, já que estão sujeitos a, no mínimo, um processo judicial.

O grande problema, na minha opinião, acontece quando se levanta uma informação falsa, uma atribuição falsa, um episódio que envolva a vida de quem não participa deste universo político. Ou, quando o autor do texto acusador é apontado erroneamente.

E neste sentido, o mais preocupante, é a aceitação da informação. Saber que o povo guarda uma repugnância a políticos é quase normal, afinal, muitos deles plantam esse sentimento na população. Mas um rancor, um sentimento ruim em relação ao próximo, sem ao menos ter a comprovação da veracidade da informação passada é muito lamentável. Mostra que a nossa gente precisa evoluir.


Elias Fonseca

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