26 de jun de 2013

LUCIANO LUGORI: É PROIBIDO PROIBIR OUVIR ZITO TORRES

Ah Durvalzito, quão grande é tua obra que tanto alegra, que arranca risos e lágrimas, mas, inevitavelmente, incomoda e envergonha ‘falsos moralistas’. “Mãe tô no cabaré de Juazeiro; mãe, e sou punheteiro”. O quem é que tem de mais na frase, além da sua confissão? Quem não sabe o que é um cabaré ou uma punheta? Pois é, no mundo de hoje está tudo tão mais explícito e escancarado, seja na música, na dança, nos filmes e novelas ou nas redes sociais. E Zito soltou o verbo, usou o talento e a criatividade para poetizar a putaria. Do seu jeito. E 'noutros tempos'.

Já são 20 anos sem o glorioso Zito Torres. Eu tenho algumas vagas memórias, umas três ou quatro talvez, inclusive do dia da sua morte. Tive a oportunidade de conhecê-lo graças a visitas constantes de meu pai à sua residência, salvo engano, aos fundos, existia um bar onde amigos se reuniam para jogar baralho, dominó, falar de futebol e tomar cervejas. Sem dúvidas, meu pai e Zito, eram amigos, talvez, desde os tempos de polícia e de delegacia, onde ambos trabalharam. O fato é que eu o incorporei às minhas lembranças e não poderia deixar de falar de suas lindas poesias, de seus versos dedicados e da sua devassidão (poética), esta última foi o motivo deste texto. Ele, realmente, era o cara. Ele, assim como todo artista, despertou o ódio e o amor, arrancou vaias e aplausos, mereceu críticas e elogios. Para ele, prefiro usar sempre os da segunda opção.
Zito Torres e a Olivetti: dedos para que te quero! 
Se ainda hoje encontramos gente que repudia seus versos, imaginem isso cantado e declamado uns 30 anos atrás. E quem não fez ou faz o que ele diz? Quem não sabe o que essas “palavrinhas" significam? Ainda ontem resolvi compartilhar o áudio de uma fita gravada pelo próprio (na 'sua' gravadora intitulada "mono-cocó") e dedicada a Davi (filho de Seu Zé de Roque) que, na época, morava em Salvador (talvez ele ainda esteja por lá). Vixe! Deu o que falar. A lado “A” da fita era só putaria. Zito cantava seu povo. São paródias, histórias, encontros e festinhas, tudo muito bem descrito (cantado e declamado). Ele sabia como ninguém adjetivar seus amigos. No lado “B” ele ameniza e diz:“eu vou retificar o que eu disse anteriormente, vou gravar agora as músicas de minha autoria, para que o amigos de Davi aí em Salvador não tenham uma impressão tão má de Zito Torres, eu gravei o lado mau, agora vou cantar o lado bom”. E cantou Homenagem a Curaçá, o qual roubarei um trecho para encerrar este texto: “saia quem quiser sair, mas Zito não sai daqui”, e nem eu! Salve, salve Zito Torres, e que ele perdoe os “falsos moralistas”.

Ah, tem mais! Zito é grande. E ninguém tirará o seu brilho. Muito menos quem sequer conhece a história de Curaçá e nem sabe quem foi Durvalzito Dias Torres e o que ele representa para nós. Nos diários de Dona Nenzinha, a própria registrou em 13 de maio de 1991: “ofereceram-se...o violão vibrante de Zito Torres - Patrimônio de Curaçá”. Aí está uma boa definição de alguém que entende, que conheceu nossa história e nosso povo como ninguém. Zito, assim como seu violão, era vibrante

Ah, esses moralistas... Não há nada que empeste mais do que um desinfetante!
Mario Quintana
Texto de Luciano Lugori, publicado em 26 de maio de 2013 em seu blog.


Canto a Curaçá!

Quero cantar a terra onde nasci 
O torrão onde cresci 
Minha terra vou cantar 
Na minha terra reina paz e alegria 
Tudo nela é fantasia, como é bela Curaçá 
A lua nasce lá na serra no Icó 
Já não me sinto tão só 
Minha terra vou cantar 

O São Francisco tem a água cristalina
A lua boia por cima querendo a água beijar 
E o seresteiro encostado na janela
Cantando morena bela no seu pinho a dedilhar 


Quando é cedinho que rompe a alvorada 
Canta alegre a passarada 
Que bonito amanhecer 
Termina o dia quando chega o por do sol 
O mais lindo arrebol em Curaçá tem pra se ver.

Paródia da música Rancho Fundo 

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